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Irã oferece passagem segura no Estreito de Ormuz, e guerra deve se intensificar

21 de Março de 2026, 21:21
Crédito: Agora RS / Google Earth

O governo do Irã afirmou neste sábado (21) que está disposto a ajudar navios japoneses a atravessar o Estreito de Ormuz, em meio ao bloqueio da rota comercial no Golfo e à escalada da guerra no Oriente Médio.

Em entrevista à agência Kyodo, o chanceler iraniano Abbas Araghchi disse que o estreito segue aberto para embarcações de países que não participam dos ataques contra o território iraniano. De acordo com ele, navios dessas nações podem cruzar a área desde que mantenham contato com Teerã para tratar da logística de uma passagem segura.

A declaração tem peso para o Japão, um dos maiores importadores de petróleo do mundo e fortemente dependente do Oriente Médio. Conforme os dados citados pelo ministro, 95% do petróleo importado por Tóquio vêm da região, e 70% passam pelo Estreito de Ormuz. Na segunda-feira (16), o governo japonês anunciou que passaria a usar suas reservas estratégicas de petróleo.

Mais ataques israelenses

Por outro lado, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que os ataques contra o Irã vão aumentar de forma significativa a partir de domingo (22). Segundo ele, a campanha conduzida por Israel com apoio dos Estados Unidos continuará até que os objetivos da guerra sejam alcançados.

Também neste sábado, as Forças de Defesa de Israel disseram ter interceptado uma nova onda de mísseis lançada pelo Irã. Já a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) afirmou ter sido comunicada por Teerã de que o complexo nuclear de Natanz foi atacado. A agência disse que não houve aumento dos níveis de radiação fora da instalação e voltou a pedir moderação para evitar risco de acidente nuclear.

Novo movimento diplomático

A disputa em torno do Estreito de Ormuz também ganhou novo movimento diplomático. O governo britânico informou que subiu para 22 o número de países dispostos a participar de um plano de reabertura da navegação comercial após um cessar-fogo. O grupo passou a incluir, além de Reino Unido, Itália, França, Alemanha, Holanda e Japão, países como Canadá, Coreia do Sul, Nova Zelândia, Noruega, Suécia, Finlândia, Austrália, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

Na declaração conjunta, esses países condenaram ataques iranianos a embarcações comerciais e a infraestrutura civil, além do fechamento de fato do estreito pelas forças iranianas. O documento também defende liberdade de navegação e afirma que as nações signatárias estão prontas para contribuir com o trânsito seguro na região.

Nos Estados Unidos, Donald Trump descartou a possibilidade de cessar-fogo e afirmou que a guerra está sob controle de Washington. O presidente norte-americano também disse que será necessária ajuda de aliados para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, citando países como China e Japão.

No mercado de energia, autoridades iranianas disseram que o país não tem excedente relevante de petróleo disponível para exportação. Ao mesmo tempo, surgiram relatos de que o Iraque reduziu sua produção em cerca de 70% em relação aos níveis anteriores ao conflito, com impacto sobre campos petrolíferos em Basra, no sul do país.

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Novo líder do Irã promete vingança e bloqueio de Ormuz em primeiro discurso

12 de Março de 2026, 20:07
Crédito: reprodução de TV / BBC News

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, prometeu vingança contra Estados Unidos e Israel. Ele também defendeu a manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz em sua primeira declaração desde que assumiu o comando do país.

A mensagem foi lida pela TV estatal iraniana nesta quinta-feira (12). No comunicado, Mojtaba afirmou que o Irã não vai recuar, prometeu retaliar os ataques e cobrou o fechamento de bases militares dos Estados Unidos em países da região. Também disse que Teerã quer manter boas relações com os vizinhos.

A declaração ocorre no momento em que Israel fez uma nova rodada de bombardeios sobre Teerã. Os militares israelenses anunciaram ataques em larga escala contra estruturas do regime iraniano na capital.

No campo político, Mojtaba segue sem aparecer em público desde a escolha para suceder Ali Khamenei. O embaixador iraniano em Genebra, Ali Bahreini, afirmou à BBC que ele está seguro e governa o país. Ainda assim, o novo líder continua fora de vista, em meio a dúvidas sobre o estado de saúde. Ele teria sofrido uma fratura no pé e ferimentos leves no ataque que causou a morte de seu pai e outros familiares.

O bloqueio do Estreito de Ormuz continua no centro da crise. O embaixador iraniano disse que Teerã não é contra o uso pacífico da rota, mas afirmou que o país não permitirá que Estados Unidos e Israel usem a região para ameaçar o Irã.

Israel bombardeia o Líbano

A pressão militar também segue no Líbano. Israel voltou a atacar alvos do Hezbollah em Beirute e no sul do país. O Ministério da Saúde libanês informou 687 mortos desde o início da ofensiva. No Vale do Bekaa, ataques deixaram sete mortos e 23 feridos, conforme o governo local.

No Golfo Pérsico, a guerra continua afetando o deslocamento de navios, a ação em bases militares e abalando a infraestrutura. Autoridades britânicas informaram que dois drones foram abatidos durante ataque a uma base em Erbil, no norte do Iraque, usada por forças do Reino Unido e dos Estados Unidos. Segundo autoridades norte-americanas, não houve feridos graves.

O monitoramento marítimo do Reino Unido informou que 13 navios foram atacados desde o início da guerra. Cerca de 20 mil pessoas, entre entre marinheiros, passageiros de navios de cruzeiro e trabalhadores portuários, seguem retidos na região e que ao menos oito morreram desde o começo da escalada.

A instabilidade no Estreito de Ormuz voltou a pressionar o petróleo, que superou novamente a marca de US$ 100 por barril. A liberação recorde de reservas estratégicas por dezenas de países não foi suficiente para derrubar de forma consistente os preços.

Na fronteira entre Irã e Turquia, quase 300 iranianos chegaram de trem à cidade de Van depois de mais de 26 horas de viagem desde Teerã. Muitos relataram medo, exaustão e incerteza sobre o avanço da guerra.

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Cargueiros são alvos de ataques no Estreito de Ormuz

11 de Março de 2026, 09:53
Crédito: Marinha Real da Tailândia

Pelo menos três navios mercantes foram atingidos por projéteis nesta quarta-feira (11) na área do Estreito de Ormuz, no 12º dia da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. A rota marítima já opera sob forte tensão e teve o tráfego praticamente paralisado desde o início do conflito.

Uma embarcação de bandeira japonesa, a One Majesty, ficou com um buraco de cerca de 10 centímetros após ser atingida ao norte de Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. Outro navio, o graneleiro Star Gwyneth, de bandeira das Ilhas Marshall, teve o casco danificado ao norte de Dubai. O navio tailandês Mayuree Naree foi atingido ao norte de Omã e teve incêndio a bordo. A empresa de segurança marítima Vanguard confirmou os danos às três embarcações.

A Marinha da Tailândia informou que 23 tripulantes estavam no Mayuree Naree. Vinte foram resgatados por Omã, e o resgate dos outros três seguia em andamento. O monitoramento marítimo do Reino Unido informou 13 ataques a navios e quatro episódios de atividade suspeita desde o início da guerra.

Ontem, o Centcom (Comando Central dos Estados Unidos) afirmou ter destruído 16 embarcações iranianas usadas para lançamento de minas perto do Estreito de Ormuz. Mais cedo, Donald Trump havia falado em 10 barcos atingidos. A ação ocorreu após relatos de inteligência sobre preparativos iranianos para espalhar minas na área.

Novo líder supremo é ferido

No campo político, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, foi descrito como fora de risco por Yousef Pezeshkian, filho do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, depois de relatos de que ele teria sido ferido. A Reuters, citando uma autoridade israelense, informou que Mojtaba sofreu ferimentos leves. Ele não fez pronunciamentos públicos nem apareceu desde a confirmação de sua escolha.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, voltou a pedir publicamente que iranianos se levantem contra o regime dos aiatolás. Do lado iraniano, o chefe de polícia Ahmadreza Radan afirmou que manifestantes contrários ao regime, se agirem “a mando do inimigo”, serão tratados como inimigos.

Os ministros de Energia do G7 deram apoio “em princípio” ao uso de reservas estratégicas por causa dos efeitos da guerra sobre o petróleo e o gás. A medida ainda depende de coordenação com a Agência Internacional de Energia.

Mais bombardeios de Israel no Líbano

Israel também ampliou os bombardeios. Os militares israelenses anunciaram uma nova onda de ataques em larga escala contra alvos no Irã e contra estruturas atribuídas ao Hezbollah em Beirute. No Líbano, a escalada segue no sul do país, nos subúrbios ao sul da capital e no Vale do Bekaa.

No sul do Líbano, a agência oficial do país informou sete mortos e 23 feridos após ataques na região leste. Em outro balanço, o Ministério da Saúde libanês informou 570 mortos desde o início dos bombardeios em 2 de março. Em Beirute, um prédio residencial foi atingido em área onde moradores diziam se sentir fora da zona de risco. Mais de 700 mil pessoas já deixaram suas casas por causa das ordens de evacuação e dos bombardeios.

Países do Golfo bloqueiam ataques iranianos

Países do Golfo voltaram a acionar defesa aérea. Os Emirados Árabes Unidos informaram nova resposta a mísseis e drones lançados pelo Irã. Mais cedo, o país havia comunicado quatro feridos após a queda de dois drones nas proximidades do aeroporto de Dubai.

O Qatar disse ter interceptado um ataque com mísseis. E a Arábia Saudita afirmou ter destruído seis mísseis balísticos lançados na direção da base aérea Prince Sultan e também drones em outras áreas do país. Omã informou que derrubou um drone e que outro caiu no mar. O Bahrein manteve o espaço aéreo fechado.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado a 35ª onda de operações. Em comunicado reproduzido por meios estatais, a corporação disse ter atacado bases militares dos Estados Unidos no Qatar, no Kuwait e no Iraque, além da Quinta Frota norte-americana. Até o momento, autoridades norte-americanas não haviam confirmado esses danos.

O comando militar conjunto do Irã também ameaçou atingir bancos ligados a Estados Unidos e Israel na região após o relato de ataque a um banco estatal em Teerã. Um porta-voz advertiu que pessoas não deveriam permanecer a menos de um quilômetro de bancos na região.

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Preço do petróleo dispara e Trump envia sinais contraditórios no 10º dia da guerra contra o Irã

9 de Março de 2026, 22:23
Crédito: reprodução de TV / White House

O décimo dia da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, nesta segunda-feira (9), foi marcado pela disparada do petróleo, pela reação das potências do G7 e por novas declarações de Donald Trump que alternaram a possibilidade de encerramento rápido do conflito com a defesa de continuidade da ofensiva.

O barril chegou perto de US$ 120, maior valor desde o início da guerra da Ucrânia, em 2022. A alta foi impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pela redução de oferta em países do Golfo atingidos pela escalada regional. No entanto, recuou com uma série de declarações de Donald Trump (leia mais abaixo) e fechou em US$ 92.

Ministros das Finanças do G7 discutiram medidas para conter os efeitos da disparada, mas decidiram não liberar, por enquanto, as reservas de emergência. O grupo reúne França, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão, Canadá e Reino Unido.

Conforme a IEA (Agência Internacional de Energia), os riscos para o mercado aumentaram com a dificuldade de circulação no Estreito de Ormuz e com a redução parcial da produção de petróleo em parte da região. A estimativa é de que 80% do petróleo que passou por Ormuz em 2025 tenha seguido para a Ásia, embora uma interrupção prolongada tenha potencial de impacto global.

A diretora técnica do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo), Ticiana Álvares, afirmou à Agência Brasil que os efeitos imediatos tendem a atingir primeiro Ásia e Europa, mas que uma guerra mais longa ampliaria as repercussões para toda a economia global. Ela também avaliou que o Brasil pode ganhar espaço como fornecedor alternativo de petróleo, embora siga exposto aos efeitos inflacionários internacionais.

No caso brasileiro, a avaliação é que a Petrobras teria capacidade de amortecer por algum tempo parte da pressão sobre os combustíveis. Ainda assim, o país continuaria vulnerável ao encarecimento de derivados e a uma possível desaceleração global caso o conflito se prolongue.

Trump oscila discurso entre fim rápido e continuidade

Ao longo do dia, Trump deu entrevistas e fez discursos com mensagens diferentes sobre o rumo da guerra. Em entrevista à CBS, afirmou que o conflito estaria “praticamente resolvido” e sugeriu que o encerramento poderia ocorrer em breve. No mesmo conjunto de falas, porém, declarou que os Estados Unidos ainda “não venceram o suficiente”.

Mais tarde, em evento com parlamentares republicanos na Flórida, o presidente voltou a dizer que a operação seria de curto prazo, mas defendeu a continuidade da ofensiva até uma “vitória final”. Também afirmou que os Estados Unidos já destruíram a maior parte da capacidade militar iraniana, incluindo mísseis, drones e estruturas de comunicação.

Em outra frente, Trump voltou a cogitar maior controle sobre o Estreito de Ormuz e deixou em aberto a possibilidade de influenciar a liderança do Irã após a guerra, assim fez nos últimos dias. Também disse que uma decisão sobre envio de tropas ainda não foi tomada.

As falas ocorrem num momento em que o próprio governo norte-americano já havia indicado anteriormente a possibilidade de uma guerra mais longa, superior a um mês.

Embaixador do Brasil vê guerra cara e difícil

O embaixador do Brasil no Irã, André Veras, avaliou que uma tentativa de derrubada do regime iraniano por forças estrangeiras seria uma tarefa “hercúlea” e com alto custo humano e econômico.

Em entrevista à Rádio Nacional, ele afirmou que ataques exclusivamente aéreos não seriam suficientes para produzir mudança de regime e destacou as dificuldades de uma eventual incursão terrestre, como o tamanho do território iraniano, o relevo montanhoso e a capacidade militar do país.

Veras relatou que, apesar dos bombardeios, serviços essenciais como água, energia e gás seguem funcionando no Irã, enquanto aulas continuam de forma remota e o comércio permanece aberto. A principal restrição relatada é o racionamento de gasolina.

O embaixador também apontou que a rápida substituição de Ali Khamenei por seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, demonstrou capacidade de reorganização institucional do sistema iraniano. Ao mesmo tempo, avaliou que essa sucessão pode ampliar críticas internas, por reforçar a percepção de continuidade hereditária dentro de um regime instaurado após a derrubada de uma monarquia.

Diplomacia segue aberta, mas cenário continua instável

Mesmo com a escalada, Veras não descartou uma saída negociada. Na avaliação dele, o Irã precisa do alívio das sanções econômicas, enquanto Estados Unidos e demais potências dependem de estabilidade para preservar o comércio global e as rotas de energia.

Também nesta segunda-feira, o Kremlin informou que Trump telefonou para Vladimir Putin. Conforme a versão divulgada por Moscou, os dois discutiram a situação no Irã e na Ucrânia, e o presidente russo apresentou ideias voltadas a uma solução política e diplomática para o conflito.

Até o fim do dia, no entanto, o cenário seguia sem indicação concreta de cessar-fogo. Com o petróleo em alta, o mercado financeiro sob pressão e mensagens contraditórias vindas da Casa Branca, o décimo dia de guerra terminou com mais incerteza sobre a duração e o custo do conflito.

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