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Estímulo da coordenação motora e memória: especialistas da USP mostram os benefícios da letra cursiva

25 de Abril de 2026, 15:15

Estímulo da coordenação motora e memória: especialistas da USP mostram os benefícios da letra cursiva

A escrita em letras cursivas tem demonstrado ser mais desafiadora e estimulante do que digitar ou escrever em letras de forma, permitindo que áreas do cérebro relacionadas à coordenação motora, memória e integração sensorial sejam ativadas e, com o tempo, fazem com que a escrita se torne algo comum e exija menos esforço, principalmente entre crianças. Andrea Lorena, professora da Faculdade de Medicina da USP, explica com detalhes os efeitos da escrita em letra cursiva para o cérebro.

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“Quando uma criança escreve em letra cursiva, o cérebro não está apenas ‘desenhando letras’. Ele está coordenando vários sistemas ao mesmo tempo. A escrita cursiva envolve planejamento motor fino, percepção visual da letra, memória e linguagem. Por isso, ela ativa uma rede cerebral relativamente ampla, incluindo áreas motoras, parietais e regiões ligadas à memória e ao processamento da linguagem. Estudos de neuroimagem mostram que escrever à mão mobiliza mais circuitos neurais do que digitar, especialmente regiões relacionadas à coordenação motora, memória e integração sensorial. Outro ponto interessante é que a cursiva exige um movimento contínuo da mão. As letras são conectadas, e isso cria sequências motoras que o cérebro precisa planejar e automatizar. Esse tipo de movimento fortalece as conexões entre os sistemas motor, visual e linguístico. Na prática, isso significa que o cérebro cria uma representação mais rica das letras e das palavras. Não é apenas a forma visual da letra que fica registrada, mas também o movimento usado para produzi-la.”

A letra cursiva no aprendizado das crianças

Silvia Colello, professora do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação (FE) da USP, fala sobre a importância de se aprender a letra cursiva durante o processo de alfabetização. “Do ponto de vista pedagógico, a gente entende o ensino da língua escrita não como aquisição do alfabeto ou das regras de ortografia e de sintaxe ou gramática, a gente entende o ensino da língua escrita hoje em função da complexidade da nossa sociedade, como a imersão nesse universo letrado e na cultura escrita que se manifesta das mais diferentes formas. A criança não tem que aprender somente o funcionamento do sistema, mas sim aprender os modos de usar a língua escrita e a letra cursiva é um dos modos de aprender a língua escrita. Tem uma pesquisadora argentina, já falecida, chamada Emília Ferreiro, ela fala uma frase que sintetiza bem essa ideia, diz que a escrita é importante na escola, porque a escrita é importante fora da escola, e não o inverso. A gente precisa ensinar as nossas crianças a ler e escrever dos muitos jeitos em que as práticas de leitura e escrita acontecem na nossa sociedade.”

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“Essa é uma concepção ampla de ensino da língua escrita e que interessa justamente porque nós não estamos pretendendo formar o sujeito que sabe ler e escrever, a gente está pretendendo formar o sujeito senhor da sua própria palavra, que pode ser autor, que se posiciona diante dos textos e que ao mesmo tempo recebe muitos apelos da sociedade letrada, da cultura escrita e que responde a esses apelos. Nessa concepção, não faz sentido a gente não ensinar a língua cursiva, porque ela está na nossa sociedade. Por que nós vamos nos conformar com o menos se a gente pode o mais? O menos seria ensinar a criança a letra de imprensa ou a letra bastão para que ela possa se comunicar e digitar no computador e o mais é ensinar a criança a participar desse mundo da cultura escrita em todas as suas formas.”

De acordo com Silvia, o momento ideal para que a letra cursiva seja introduzida varia, a depender do aluno. “Muitos professores ficam em dúvida quando é o melhor momento para entrar na letra cursiva. É preciso que a gente entenda que a letra bastão, que é a letra de forma, é mais fácil para a criança compreender que a escrita se faz em partes, em pedacinhos, como eles dizem. No momento em que a criança já dominou o código alfabético e que já entendeu que as palavras são feitas de letras e já tem o conceito de letras e tal, é natural que as crianças fiquem desejando aprender a letra cursiva, que eles chamam de ‘letra de gente grande’. Se o processo for bem conduzido, as crianças vão ficar motivadas para aprender isso, e essa aprendizagem vai ser muito boa quando ela não é tratada de uma forma mecânica. Não posso te responder se é melhor a criança aprender a letra cursiva com 6, 7 ou 8 anos, depende da criança e do domínio que ela já tenha da língua escrita. Mas, a partir do momento em que ela já tenha a aquisição do sistema fonético, ela pode ser, sim, motivada, até desafiada, a começar a escrever a letra cursiva. É essa a ideia.”

E depois de adulto?

Andrea explica que, mesmo sendo mais difícil, ainda é possível desenvolver a habilidade mesmo depois da infância. “Sim, geralmente fica um pouco mais difícil, mas não impossível. A escrita cursiva é uma habilidade motora complexa. Ela depende de sequências de movimentos finos da mão que precisam ser automatizados com repetição. Durante a infância, o cérebro apresenta maior plasticidade neural, especialmente nos sistemas motores e sensório-motores. Isso facilita a aprendizagem desses padrões motores. Na vida adulta, o cérebro ainda aprende, mas a aquisição de novas sequências motoras costuma exigir mais prática e mais tempo. A pessoa consegue aprender, mas o processo tende a ser menos espontâneo do que na infância. Por isso, tradicionalmente, a escrita cursiva é ensinada nos primeiros anos da escolarização: é justamente o momento em que o cérebro está mais preparado para consolidar esse tipo de habilidade motora”, finaliza Andrea.

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Em constante evolução, Fuvest completa 50 anos à frente do vestibular da USP

25 de Abril de 2026, 10:22

Em constante evolução, Fuvest completa 50 anos à frente do vestibular da USP

A Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) completou 50 anos de existência no dia 20 de abril. Fundada em 1976, na capital paulista, seu principal objetivo é a realização de exames vestibulares para admissão na Universidade de São Paulo. Para comemorar, a instituição tem elaborado, desde de abril do ano passado, uma programação especial, incluindo um livro sobre a evolução do Ensino Médio até 2026.

Gustavo Monaco, diretor executivo da Fuvest, comenta um pouco da história da fundação. “São 50 anos de sucesso, no sentido de conseguirmos manter o sigilo sobre as questões e o procedimento utilizado no vestibular de uma maneira republicana. Ela é o resultado de uma decisão muito corajosa que a USP tomou há cinco décadas de instituir uma fundação para cuidar do vestibular, visto que antes cada unidade tinha o seu próprio e isso, muitas vezes, estava sujeito às particularidades e interferências externas de cada uma.”

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Já em 1977 foi realizada a primeira aplicação do vestibular, coordenada pelo professor José Goldemberg, após a Fuvest surgir como a fusão dos três grandes exames daquela época, o Mapofei, das áreas de exatas, o Cescea, das ciências humanas, e o Cescem, que era usado para ciências da saúde.

“Após uma conversa com o professor Goldemberg, que tive em conjunto com o vice-diretor do vestibular, Tiago Paixão, percebemos que muitas das coisas que praticamos hoje foram decisões que ele e os conselheiros daquela época tomaram. Então isso mostra como a Fuvest evolui, mas também mantém muitas das tradições, não porque são tradições, mas porque elas funcionam para manter esse programa bastante rígido e relevante para o país e para o estado de São Paulo.”

Formulação do exame

“A estruturação da prova é algo muito artesanal, ou seja, os avaliadores têm uma preocupação de elaborar questões contextualizadas que façam sentido também para o corpo de candidatos, assuntos que eles compreendam e consigam aplicar, mas, sobretudo, que consigam pensar bastante. Enquanto as bancas das disciplinas pensam do ponto de vista técnico, os funcionários da Fuvest vão se atentar à parte formal, quer dizer, isto está com cara de uma questão teste ou aquilo está com cara de uma questão dissertativa. Há um olhar e uma análise crítica muito fundamental por parte da banca para a seleção de cada questão e também uma preocupação de garantir a excelência”, pontua Monaco.

Listas literárias e a redação

Outro ponto de destaque do vestibular é a lista literária de leituras obrigatórias, uma seleção de obras em língua portuguesa exigidas para a elaboração do vestibular, fundamentais para questões de literatura e redação. Anteriormente, as listas preocupavam-se em cobrir os movimentos literários e gêneros textuais de forma mais abrangente, o que mudou a partir de 1989.

“Esse contexto anterior mais geral privilegiou por muitos anos os escritores, o que poderia nos fazer pensar que não existiram escritoras no passado, o que não é verdade, já que muitas foram inviabilizadas pelos seus contextos sociais históricos. Então, o que foi feito foi um movimento de ruptura nos últimos anos, no sentido de estabelecer uma lista exclusivamente feminina por três anos. Depois desse período, os homens irão reaparecer nessa lista, para que seja composta metade de homens e metade de mulheres”, explica o diretor.

Por outro lado, a redação Fuvest, também amplamente conhecida e repercutida, é aplicada desde o ano de criação do processo seletivo. Há uma predominância do gênero dissertativo nesses 50 anos, mas, nas décadas de 1970 e 1980, por exemplo, apresentaram gêneros narrativos também. A redação também conta com a famosa frase temática, que define o tema do texto. No ano passado, a Fuvest, pela primeira vez, trabalhou com um mesmo conjunto de textos de apoio para duas propostas. Quer dizer que o candidato continua fazendo uma redação só, mas poderá escolher o gênero textual entre o dissertativo e o narrativo.

A elaboração do livro

“Quando a Fuvest fez 30 anos foram lançados dois livros sobre a história da Fundação, o que é muito importante, mas, dessa vez preferimos seguir por outro caminho. A ideia surgiu de uma parceria com o professor Marcos Neira, da Faculdade de Educação e pró-reitor de Graduação, e outros professores, para tratar da evolução de 50 anos do Ensino Médio e como os conteúdos ensinados nas escolas foram cobrados no vestibular. A evolução dos currículos, dos métodos pedagógicos, a inclusão ou a retirada de certos temas são alguns dos temas tratados, e a ideia é entregar para a comunidade, para a sociedade, um manancial de estudos sobre a importância da Fuvest”, ressalta.

Por fim, Monaco cita a metáfora de quem veio primeiro, o ovo ou a galinha, comparando-a com a relação da Fundação com o Ensino Médio e seus papéis na transformação de ambos. “A conclusão pode ser outra, mas tenho a impressão que é um processo efetivamente simbiótico, de efetiva retroalimentação, a gente se beneficia das evoluções, das modificações do Ensino Médio, e o Ensino Médio se beneficia do papel da Fuvest, no sentido de, como disse o professor Goldemberg, de colocar a régua bastante alta.”

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Fuvest promove no domingo (26) primeiro simulado preparatório para a prova do vestibular 2027

24 de Abril de 2026, 17:12

Fuvest promove no domingo (26) primeiro simulado preparatório para a prova do vestibular 2027

A Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) realiza neste domingo (26) o Simulado da Prova de Conhecimentos Gerais. Ao todo, 25.747 estudantes se inscreveram e terão a oportunidade de treinar em condições reais para a 1ª fase do Vestibular 2027. O simulado tem caráter exclusivamente preparatório. A participação não garante inscrição, não substitui nem gera qualquer tipo de vantagem ou bonificação no Vestibular 2027, e a inscrição deverá ser realizada posteriormente, em período e condições próprios.

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O simulado será realizado em 11 cidades: Bauru, Campinas, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santo André, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo e Sorocaba. Os portões do local de aplicação serão abertos às 12h, e a prova começará às 13h, com término às 18h, totalizando 5 horas de duração.

No dia da prova, é obrigatória a apresentação dos seguintes itens: documento de Identificação, digital ou físico e caneta esferográfica, azul ou preta, de corpo transparente. O participante que não apresentar documento de identificação válido não poderá realizar a prova, estando sua participação automaticamente cancelada.

A Fuvest libera a utilização de outros itens opcionais, como garrafa de água transparente; alimentos leves; lápis ou lapiseira; itens médicos autorizados com antecedência; borracha; apontador; e régua transparente.

Porém está proibido o uso dos seguintes itens: relógio individual de qualquer tipo; equipamento eletrônico, como calculadora, telefone celular, computador, tablet, reprodutor de áudio, máquina fotográfica, equipamento eletrônico do tipo vestível (como smartwatch, óculos eletrônicos, ponto eletrônico) etc.; material impresso ou para anotações; caneta hidrográfica ou outras, diferentes de caneta esferográfica; corretivo de qualquer material ou espécie; caneta marca-texto, compasso ou lápis com tabuada; gorro, boné, chapéu ou similares, óculos de sol; e quaisquer outros materiais estranhos à realização da prova.

Desempenho individual

No dia 27 de abril, os enunciados das questões e o gabarito do simulado serão divulgados. Já no dia 11 de maio, o candidato receberá o seu desempenho individual, com uma comparação em três níveis: com todos os participantes, pela área do conhecimento (Humanas, Exatas e Biológicas) e pelo tipo de vaga que pretende concorrer (Ampla Concorrência, Escola Pública ou Pessoas negras, de cor preta ou parda, e indígena). Com essas informações, ele poderá saber a sua melhor posição e como foi o seu desempenho em cada uma das questões, inclusive o grau de dificuldade delas.

Mais informações na página do simulado neste link.

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